GOVERNO REJEITA POSTURA AGRESSIVA EM REAÇÃO À XENOFOBIA E ADMITE DESCONHECER NÚMERO EXACTO DE MOÇAMBICANOS EM SITUAÇÃO IRREGULAR NA ÁFRICA DO SUL
O Governo moçambicano afirmou, hoje em conferência de imprensa, que não irá adoptar uma postura agressiva perante as recentes manifestações anti-imigrantes registadas na África do Sul, defendendo antes o caminho do diálogo e da cooperação diplomática entre os dois países. A posição surge num momento de crescente tensão social em algumas cidades sul-africanas, onde circulam convocatórias para protestos contra estrangeiros em situação irregular.
Na sua comunicação, o Executivo reiterou o compromisso com a estabilidade das relações bilaterais e com a preservação dos laços históricos de amizade entre Moçambique e África do Sul, sublinhando que a solução para a actual conjuntura deve passar por vias diplomáticas e institucionais.
Contudo, a mesma intervenção trouxe à tona a ausência de dados concretos sobre o número de cidadãos moçambicanos em situação irregular naquele País. O Governo reconhece que não possui um registo exacto, referindo apenas estimativas gerais que apontam para a presença de “aos milhares” de moçambicanos em condição migratória irregular.
Apesar de existirem estimativas globais que apontam para cerca de 300 mil moçambicanos residentes na África do Sul, as autoridades admitem que a distinção entre cidadãos regularizados e indocumentados continua a ser um desafio operacional e estatístico.
No terreno, o Governo assegura que as missões diplomáticas e consulares estão em permanente coordenação com as autoridades sul-africanas e com as comunidades moçambicanas locais, garantindo assistência e acompanhamento da situação. Até ao momento, não há registo de mortes, agressões graves ou perda significativa de bens de cidadãos moçambicanos em consequência directa das manifestações.
Ainda assim, o clima de incerteza tem gerado preocupação entre familiares e comunidades, sobretudo devido à circulação de mensagens nas redes sociais que alertam para possíveis novos protestos em cidades como Joanesburgo, Pretória e Durban.
O Executivo moçambicano anunciou igualmente que está a reforçar os mecanismos de apoio nas zonas fronteiriças, caso haja necessidade de retorno voluntário de cidadãos por razões de segurança. Em paralelo, decorrem contactos diplomáticos regulares entre Maputo e Pretória para avaliar a evolução da situação e evitar o agravamento das tensões.
